À Democracia.
Excelentíssima senhora Democracia. Desgastada e sublime é seu estado. Belíssima é sua forma, superando em muito a cansada Monarquia e a imperfeita Anarquia.
Sua vontade é ímpar, seu desejo, bivalente; entre aqueles que pensam e os que não pensam. Suas ações são bem pensadas, fundamentadas enfim na antiga Atenas.
Morrestes na Idade das Trevas, mas o fio que a separava da morte sempre esteve vivo, mesmo que sob tensão. Renascestes enfim, e aqui estás, ó toda poderosa Democracia que nos rege.
Mas estás sob perigo, já não és mais virgem, isto sei. Fostes estuprada e maculada vezes sem fim por aqueles que não a respeitam e fazem suas próprias vontades, mesmo que digas não!
Vives sem viver, enfim, controlada. Uma serva obediente se tornou, comandada por aqueles que estão em cima e piamente exercida, por aqueles que estão em baixo.
Mal sabem eles que eu sei o que acontece. Conheço seu segredo. Tu hoje és ó Democracia, muito menos democrata e atuante, muito menos obediente e justa, você rouba de suas próprias raízes e deita e rola sobre seu próprio povo.
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